Semana Santa

Destaques Formação Ministérios

SEMANA SANTA
CENTRO DE TODA A FÉ CRISTÃ

O centro de toda a fé cristã encontra-se em plenitude e ao mesmo tempo resumido no grande mistério da fé, vivido nesta ocasião que chamamos de Semana Santa, exatamente pelos acontecimentos que nela se desenrolaram: Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, Filho de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Nosso Redentor.

O Domingo de Ramos abre essa Semana nos fazendo reviver, com nossos ramos, a entrada de Jesus em Jerusalém. Jesus está consciente do que ali foi fazer: obedecer a vontade do Pai até a morte de cruz (cf. Fl 2,8). Jesus entra “na morte” da mesma forma que entrou “na vida”. E como entrou na vida? Na simplicidade, na acolhida dos humildes em Belém, representados pela presença de Maria, José e os pastores da região. Agora novamente é acolhido pelas pessoas simples, que o reconhecem como o “Filho de Davi”. O brado a sair de suas bocas revelam aquilo mesmo que está em seus corações, “Hosana!”. Esse brado de adoração, esse grito de louvor preso na garganta e na alma de todos aqueles que esperavam um salvador, não apenas aquele que iria os salvar apenas de suas condições terrenas injustas, mas ainda mais, aquele que podia salvar suas almas, reconciliá-los de volta ao Deus de Israel, já experimentado e vivido na fé por Abraão, Isaac e Jacó.

Jesus ao entrar em Jerusalém utilizando um burrinho – quando poderia ter utilizado um cavalo – já nos revela aquilo que Ele mesmo testemunhou em sua vida: o seu Reino não é daqui! (cf. Jo 18,36). O cavalo, antes utilizado em guerras, sendo também sinal de glórias e esplendor é deixado de lado pelo Senhor, que vem montado em um animalzinho comum e humilde. Desta forma Jesus cumpre em tudo a vontade do Pai, já descrita no Antigo Testamento (cf. Zac 9,9). Os dias posteriores à sua entrada em Jerusalém. Jesus entrava pela manhã na cidade e saia à Betânia no cair da tarde. Alguns gestos seus durante esses dias preparavam a todos para o grande momento de sua morte e ressureição. Já na segunda, vemos que o Senhor amaldiçoa a figueira estéril, por esta não dar fruto (cf. Mc 11,12-14). Podemos dizer, como Ele mesmo ensinou, que o sentido da vida é dar frutos, mas é preciso morrer para gerar novas sementes, novos frutos (Jo 12,24-26).

Depois desse fato, segue-se a Purificação do Templo que Ele veio realizar. Ele, de fato, entra no Templo e expulsa os vendilhões (cf. Mc 11,15-17). A grande máxima aí se expressa: “Não façais da Casa de meu Pai um covil de ladrões”. Outros acontecimentos se desenvolvem durante esses dias, como: explicação sobre a ressureição, falou sobre o maior dos mandamentos, contou parábolas sobre a salvação e o fim dos tempos, explicou sobre o pagamento de impostos, falou sobre a parusia (sua segunda vida) e, por fim, profetizou sua própria morte e ressureição. Podemos então dizer que, sem sombra de dúvidas, o Senhor estava preparando a todos para os acontecimentos que estavam por acontecer a Ele e como esses acontecimentos diziam respeito a todos nós, era necessário ser assim para a nossa salvação. Além do mais, ao anunciar a ressureição, Jesus demonstra que a morte não tem a última palavra sobre tudo e sobre todos: a palavra final é a do Pai: ressuscitado Ele estará! A quinta-feira anuncia a chegada do momento derradeiro antes de sua entrega total: Jesus ceia com os seus discípulos. Ali se desenvolve como se dará sua presença real na história humana: Ele estará no Pão e no Vinho. Eis o alimento que os alimentará desde agora e para sempre. No seu corpo e no seu sangue a perfeita comunhão que também deve se desenvolver em sua comunidade, a Igreja.

Esta deve ser aquela que serve, que se abaixa, que acolhe, que chama a todos a participar do mesmo banquete, da mesma alegria. É nesse sentido que Jesus lava os pés dos discípulos. Ele se rebaixa: no lavar os pés dos discípulos, função dos escravos, Ele nos deixa o exemplo. Jesus não quer matar a fome somente do corpo, mas a fome da alma que reconhece em Jesus o único que pode nos dar a água viva (cf. Jo 4,13-14). Ao término do jantar Jesus se recolhe em oração no Getsêmani. Ele dialoga com o Pai em oração. Jesus sabe o que, a partir dali, se desenvolverá. O primeiro golpe já ali ocorre: é traído por um dos seus. Embora Jesus já o soubesse e tivesse anunciado durante o jantar (cf. Mt 26,21), essa traição é um golpe duro para o Senhor: “Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?!” (Lc 22,48). O beijo é o sinal da traição. Jesus é levado pelos soldados do sumo sacerdote para ser julgado. A sexta-feira, desde a madrugada até a manhã. Jesus passa por
três interrogatórios: primeiro pelo sumo sacerdote, depois por Pilatos e, em seguida, por Herodes. Mas, de volta a Pilatos, é ali que é açoitado e, por fim, entregue à morte. Jesus é colocado entre dois ladrões. O Salvador da humanidade é comparado a malfeitores que usurpam as pessoas! É o esvaziamento total, entrega total. É a nossa humilhação que Ele eleva à sua cruz, regata-nos a preço de sangue, seu sangue precioso (cf. 1Pd 1,19). O véu do templo rasga-se de alto a baixo (Mt 27,51). É a simbologia que demonstra que, pela morte do Senhor, o documento que nos acusava foi cancelado, foi destruído (Cl 2,14).

O sábado é dia de olhar, refletir para todos os acontecimentos de sexta. O túmulo carrega nossas esperanças de que, em breve, ele estará vazio. É o tempo cronológico da descida de Jesus à mansão dos mortos, ao seio de Abraão e levar, também ali, aqueles que estão esperando o Salvador, a salvação, o retorno à comunhão com Deus, outrora destruída pelo pecado dos primeiros pais. É um detalhe curioso o fato de que uma pedra está vedando o túmulo e os discípulos não têm como a remover para retirar o corpo do Senhor, se assim o quisessem. A obra da redenção alcança então o mundo dos mortos. A redenção deve ser completa.

O domingo pela manhã inicia agitado: um tremor de terra remove a pedra do sepulcro. Os guardas, cheios de medo, fogem do lugar (Mt 28, 2-4). Algumas mulheres, para completar o costume referente aos cuidados com o corpo de quem morre, se desesperam com a pedra removida e, observando dentro do túmulo, constatam que ali não está mais o corpo de seu Senhor. Mas um anjo do Senhor anuncia a boa nova para elas: Jesus não está mais ali. Ele ressuscitou como disse! E recebe a orientação de irem depressa anunciar aos discípulos essa grande alegria (cf. Mt 28,1-7). Quando ouviram tudo o que as mulheres disseram, Pedro e João vão ao sepulcro (Jo 20,3). Duvidando das mulheres? Não acreditando em tudo o que estava acontecendo? Cheios de tristeza? Ainda cheios de medos e dores? Tudo isso junto! Foi preciso juntar os cacos daquilo que acreditavam e seguiram rumo ao túmulo. Queriam testificar, pelos sentidos, aquilo que a fé, embora perdida e desolada, queria acreditar: o Senhor, de fato, ressuscitou! Voltou à vida aquele que morreu como malfeitor! Volta vitorioso aquele que foi considerado como embusteiro, enganador.

Jesus também se manifesta a dois discípulos que seguem para a cidade de Emaús (Lc 21,13-35). Aqueles discípulos voltam para sua terra. Não há mais motivo para permanecer em Jerusalém. Aquele no qual depositaram tanta fé, tanta esperança, havia morrido da pior forma de se morrer: crucificado. Apareceu como grande homem de poder, de curas e milagres, mas agora estava morto. Um desconhecido caminha com eles. Partilha as escrituras. Ceia com eles. É ali que eles reconhecem que se trata do Mestre. Que a promessa que Ele havia feito, que voltaria, foi cumprida: Ele está vivo, ressuscitado! Vive aquele que foi morto! O maior medo da humanidade foi vencido: a morte morreu! Jesus, a partir daí, encontra-se também com todos os discípulos. A alegria da ressureição toma de conta de todos. A certeza de que a fé vence o medo toma de conta de todos. Toda aquela tristeza advinda pela morte do Mestre se converte em alegria e corações são consagrados na
verdade incontestável: O Senhor ressuscitou, aleluia! A morte foi vencida, aleluia! Aqueles que creem, embora morram, não ficam mortos, aleluia! (cf. Jo 11,25).
Todos esses eventos se inscrevem no coração de todos os cristãos como ponto central de nossa fé. Podemos dizer, em suma, com toda assertividade de nossa fé que não cremos no vazio. Cremos no Senhor que se fez homem, se entregou e morreu na cruz para resgatar-nos, por puro amor. Ele, que desde sempre nos criou à sua imagem e semelhança, tudo fez e faz por amor. E por pura gratuidade do seu infinito amor, tudo o que aconteceu durante a Semana Santa nos torna novamente capazes de experimentar esse amor total e incondicional de Deus, e sermos nele, portadores de um novo carimbo de céu!

Prof. Gledson de Oliveira Albuquerque
Coordenador do Ministério de Formação Arquidiocese de Fortaleza
Equipe Estadual do Ministério de Formação RCC Ceará

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *